A legislação ambiental brasileira avançou de forma significativa ao consolidar o sistema nacional de logística reversa para embalagens plásticas, estabelecendo metas obrigatórias de coleta, reciclagem e reinserção desses materiais no ciclo produtivo. A partir de janeiro, empresas responsáveis por embalagens passam a cumprir percentuais mínimos de recuperação, o que amplia a responsabilidade de toda a cadeia, incluindo os condomínios residenciais e comerciais.
Inseridas no contexto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, as metas preveem a reciclagem de 32% das embalagens plásticas até 2026, com progressão para 50% até 2040. Na prática, isso reforça o papel estratégico dos condomínios como pontos fundamentais de separação, armazenamento e destinação correta dos resíduos gerados diariamente pela moradia coletiva.
Com esse cenário, ações como a implantação ou o aprimoramento da coleta seletiva tornam-se indispensáveis. A correta separação de papel, plástico, vidro e metal, aliada à destinação adequada de resíduos orgânicos, contribui diretamente para o cumprimento das metas nacionais e para a consolidação de uma economia circular mais eficiente no ambiente urbano. A criação de pontos de entrega voluntária, dentro ou próximos aos condomínios, também surge como alternativa viável para ampliar a participação dos moradores.
Na prática, muitos síndicos ainda enfrentam desafios relacionados à falta de infraestrutura adequada, comunicação ineficiente ou desconhecimento das exigências legais. No entanto, com a proximidade das metas federais, a gestão condominial passa a ser chamada a agir de forma preventiva. A criação de espaços bem sinalizados para cada tipo de resíduo, aliada a campanhas educativas por meio de murais, comunicados e grupos de mensagens, ajuda a engajar os moradores e reduzir erros na separação.
Outro ponto relevante é a articulação com cooperativas de reciclagem, catadores independentes ou empresas especializadas em coleta seletiva, garantindo a retirada regular dos materiais e a destinação ambientalmente correta. Essas parcerias fortalecem cadeias locais de reciclagem e geram impactos sociais positivos.
Além da separação, a redução de resíduos na fonte desponta como uma estratégia eficaz. Medidas simples, como evitar o uso de descartáveis em eventos do condomínio, priorizar embalagens retornáveis e estimular compras coletivas que gerem menos lixo, contribuem para a mudança de hábitos e para a conscientização coletiva. Quando os resíduos passam a ser tratados como recursos, diminui-se a pressão sobre aterros sanitários, reduzem-se emissões de gases poluentes e fortalecem-se mercados de reaproveitamento.
Ao se antecipar às exigências legais, síndicos, conselheiros e moradores transformam obrigações ambientais em benefícios concretos para o cotidiano condominial, com ambientes mais limpos, redução de odores e pragas, melhoria da saúde coletiva e até economia com a correta destinação dos resíduos.
Mais do que cumprir metas nacionais, um condomínio que adota práticas responsáveis de gestão de resíduos contribui para cidades mais sustentáveis e para a construção de um futuro ambientalmente equilibrado, alinhando qualidade de vida, responsabilidade social e compromisso com o meio ambiente.
Imagem: Freepik
Fonte: Condomínio Interativo




