A inadimplência continua sendo um dos principais desafios da gestão condominial no Brasil. Em meio à necessidade de manter as contas equilibradas e garantir a continuidade dos serviços essenciais, os condomínios têm recorrido cada vez mais ao protesto em cartório como ferramenta para recuperar valores em atraso.
Dados divulgados pela Folha de S.Paulo mostram que o número de cobranças de taxas condominiais encaminhadas para protesto registrou um crescimento expressivo em 2025. Foram 100.815 documentos apresentados aos cartórios ao longo do período, contra 15.071 registrados anteriormente, representando um aumento de 569%.
O avanço reflete uma mudança no comportamento dos condomínios, que têm adotado mecanismos mais ágeis para reduzir os impactos financeiros causados pela inadimplência. A arrecadação das taxas condominiais é fundamental para custear despesas como segurança, limpeza, manutenção predial, consumo de água e energia das áreas comuns, além de obras e melhorias necessárias para a conservação do patrimônio.
Recuperação de créditos ganha velocidade
Além do aumento no volume de cobranças, os números mostram resultados positivos na recuperação de parte dos débitos. Das dívidas encaminhadas para protesto em 2025, 34.528 foram solucionadas, seja por meio de pagamento integral, acordos entre as partes ou cancelamento da cobrança.
Ao todo, aproximadamente R$ 70 milhões foram recuperados durante o período analisado.
Outro dado relevante é a rapidez na regularização de parte das pendências. Cerca de 15% das dívidas resolvidas foram quitadas nos três primeiros dias após a notificação ao devedor. Já 16% dos pagamentos ocorreram após a efetivação do protesto em cartório.
Alternativa à judicialização
O crescimento das cobranças extrajudiciais também está relacionado à busca por soluções mais rápidas em comparação aos processos judiciais tradicionais. Embora a legislação permita a cobrança judicial de débitos condominiais, esse caminho pode levar anos até a conclusão e recebimento dos valores.
Nesse cenário, o protesto em cartório tem sido utilizado como uma alternativa para pressionar a regularização da dívida e aumentar as chances de recuperação dos créditos sem a necessidade de longas disputas judiciais.
Além disso, o protesto pode gerar restrições ao devedor, dificultando o acesso a financiamentos, empréstimos e outras operações de crédito enquanto a pendência permanecer em aberto.
Inadimplência ainda preocupa
Apesar dos resultados alcançados, a inadimplência continua impactando significativamente os condomínios. O levantamento aponta que aproximadamente 61% das dívidas levadas a protesto em 2025 permaneceram sem pagamento até o encerramento do período analisado.
A falta de arrecadação afeta diretamente o planejamento financeiro dos empreendimentos e pode comprometer a execução de contratos, a manutenção das áreas comuns e até mesmo a realização de investimentos previstos no orçamento.
Tendência continua em 2026
Os números indicam que o movimento de intensificação das cobranças deve continuar. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram encaminhadas para protesto 26.866 dívidas condominiais, que juntas somam R$ 42,8 milhões em cobranças.
No mesmo período, 7.112 títulos tiveram algum tipo de resolução, demonstrando que o mecanismo segue sendo utilizado como uma das principais estratégias para a recuperação de receitas.
O cenário evidencia a crescente preocupação dos condomínios com a saúde financeira dos empreendimentos e reforça a adoção de medidas que contribuam para reduzir a inadimplência, preservar o equilíbrio das contas e garantir a continuidade dos serviços prestados aos moradores.
Imagem: Freepik
Fonte: Redação PredNews
Com informações da Folha de São Paulo




