A mudança nas regras de jornada de trabalho no Brasil impôs um desafio urgente para síndicos, conselheiros e administradoras: como reorganizar a operação dos edifícios sem gerar um aumento insustentável na taxa condominial? O impacto mais crítico recai sobre o coração da segurança dos prédios: a portaria presencial 24 horas.
Com a transição do modelo 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) para o limite de 42 horas semanais — e posteriormente 40 horas, garantindo dois dias de folga na semana sem redução salarial —, a matemática tradicional das guaritas deixou de fechar.
O quebra-cabeça das 168 horas semanais
Uma portaria que funciona ininterruptamente precisa cobrir exatas 168 horas por semana. No modelo tradicional, quatro porteiros (divididos entre turnos diurnos, noturnos e um folguista) costumavam dar conta de toda a grade.
Porém, com a redução da carga horária semanal de cada trabalhador e a obrigatoriedade de duas folgas por semana, o quadro atual passa a deixar “buracos” na escala. Como a folha de pagamento — seja própria ou terceirizada — já consome entre 50% e 70% do orçamento mensal dos condomínios, tentar cobrir essas horas vagas pagando horas extras fixas é financeiramente inviável e cria um alto risco de passivo trabalhista.
4 caminhos para adequar a portaria sem estourar o caixa
Para manter a segurança do condomínio dentro da lei e equilibrar as contas na próxima assembleia orçamentária, especialistas apontam quatro estratégias principais:
- Ampliação da equipe de revezamento (Folguista adicional): Para os prédios que não abrem mão da portaria 100% presencial nos moldes atuais, será necessário incluir mais um profissional folguista na escala (seja por contratação direta ou repactuação com a terceirizada). Nesse caso, o síndico precisará apresentar aos moradores o impacto exato desse custo no rateio da taxa condominial.
- Adoção da Portaria Híbrida: Uma solução intermediária que vem ganhando força. O condomínio mantém o porteiro presencial nos horários de maior movimento (por exemplo, das 6h às 22h, quando há fluxo de entregas, prestadores e saída escolar) e transfere o controle da madrugada para uma central de monitoramento remoto.
- Investimento em Automação e Controle de Acesso: O uso de reconhecimento facial, leitura automática de placas (LPR), QR Codes para visitantes e armários inteligentes (lockers) reduz a sobrecarga operacional da portaria, permitindo que a equipe foque na segurança e viabilizando modelos remotos ou híbridos que amortizam o custo da folha.
- Reorganização das rotinas de apoio (Zeladoria e Limpeza): Para os demais funcionários do prédio que não atuam em regime 24h, a saída é redesenhar o cronograma de atividades, concentrando o efetivo nos dias úteis de maior circulação e ajustando os plantões de fim de semana sem necessidade de novas contratações.
O que o síndico deve fazer agora?
A recomendação para os gestores é não esperar o fechamento do ano fiscal. É fundamental solicitar imediatamente à administradora e às empresas terceirizadas uma simulação financeira com diferentes cenários de escala. Levar esses números de forma transparente para a assembleia de previsão orçamentária é o melhor caminho para que os próprios condôminos decidam entre absorver o custo de uma equipe maior ou modernizar o modelo de controle de acesso do edifício.
Fonte de referência:
Conteúdo elaborado pela Redação PredNews com base nas diretrizes da Emenda Constitucional 141/2026 e em levantamentos técnicos e financeiros do mercado condominial




