Um grave incidente registrado na Zona Leste de São Paulo reacendeu o alerta sobre a segurança infantil em edifícios residenciais e evidenciou como a infraestrutura de monitoramento dos condomínios é fundamental para a elucidação de ocorrências policiais. Na tarde da última segunda-feira (26), uma menina de seis anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), caiu da janela do quinto andar de um prédio localizado no bairro Jardim Bonifácio.
A criança foi prontamente socorrida com o apoio de moradores que presenciaram a cena e encaminhada ao Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, onde permaneceu internada em observação, sem quadro considerado grave pelas primeiras avaliações médicas.
O desdobramento jurídico do caso, porém, ganhou novos rumos a partir da colaboração direta do sistema de segurança do condomínio com as autoridades policiais.
O papel decisivo do circuito interno (CFTV) na investigação
Após o incidente, os pais da menina foram autuados em flagrante por abandono de incapaz pelo 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), sob condução da delegada Ana Paula Lombardi Candido, que solicitou à Justiça a conversão da detenção em prisão preventiva. O elemento central que fundamentou a decisão policial foi a análise técnica das imagens das câmeras de segurança do edifício.
Em seus primeiros relatos à polícia, os responsáveis apresentaram versões divergentes — afirmando inicialmente que um deles havia permanecido no imóvel dormindo enquanto o outro saía ao supermercado, ou que a ausência havia sido breve após uma discussão. Contudo, o registro cronológico do circuito de monitoramento do prédio mostrou uma dinâmica diferente:
- 12h17 às 16h01: as câmeras registraram a primeira saída do casal do condomínio e o retorno quase quatro horas depois;
- 16h15: as imagens apontaram que ambos deixaram o edifício novamente;
- 17h12: o sistema captou o momento exato da queda da criança (ao lado dela, foi encontrado um guarda-chuva aberto, que a polícia suspeita que a menina segurava no instante do acidente) e a imediata mobilização dos vizinhos para prestar os primeiros socorros;
- 17h27: os pais retornaram ao condomínio, quinze minutos após o ocorrido.
Enquanto a Justiça avalia a manutenção das prisões e o Conselho Tutelar acompanha as medidas protetivas voltadas à criança, o episódio deixa lições práticas importantes para síndicos, conselheiros e administradoras.
3 lições práticas de segurança e governança para os síndicos
Casos críticos envolvendo acidentes em unidades privativas ou áreas comuns exigem que a gestão condominial esteja preparada tanto do ponto de vista tecnológico quanto jurídico. Especialistas em segurança predial destacam três pontos de atenção:
- Manutenção e sincronização do CFTV: câmeras com data e hora perfeitamente calibradas (sincronizadas) e gravações armazenadas em nuvem ou em servidores seguros (DVR/NVR com backup) são vitais. Quando a Polícia Civil ou o Poder Judiciário requisitam imagens, a integridade do arquivo é o que garante valor probatório e isenta o condomínio de questionamentos.
- Cuidado com a LGPD e o vazamento de vídeos: diante de tragédias ou acidentes, o síndico deve garantir que as gravações do circuito interno sejam entregues exclusivamente às autoridades competentes mediante requisição formal ou boletim de ocorrência. O compartilhamento indevido de vídeos sensíveis em grupos de WhatsApp de moradores ou com terceiros pode gerar responsabilização civil para o condomínio.
- Campanhas sobre telas de proteção e vulneráveis: embora o interior da unidade seja uma área privativa, cabe à gestão promover campanhas educativas periódicas incentivando a instalação e a manutenção preventiva de redes de proteção certificadas nas janelas e sacadas — especialmente em unidades com crianças, idosos, pessoas com deficiência ou animais de estimação. Além disso, funcionários de portaria e zeladoria devem ser orientados a acionar imediatamente o síndico e o Conselho Tutelar ou autoridades (190/193) caso identifiquem menores desacompanhados em situação de risco nas áreas comuns.
Redação PredNews




